Feeds:
Posts
Comentários

Archive for março \25\UTC 2007

Respostas

“As respostas não vêm sempre que são precisas, e mesmo sucede muitas vezes que ter de ficar simplesmente à espera delas é a única resposta possível” (Saramago, Ensaio sobre a cegueira)

Anúncios

Read Full Post »

Símbolos

¿Tienes miedo de algo? ¡Yo tengo miedo de los símbolos! Pueden decir lo que no queires decir. Pueden decir lo que no quiero oir. La vida está llena de símbolos. Quien los ve, conoce mejor al otro. Quien los interpreta, se conoce mejor. ¿Tienes miedo de los símbolos?

Read Full Post »

“porque la vida, mi caro amigo, es movimiento”

Read Full Post »

La muerte de Peter Pan

Llega un momento en la vida en que uno se da cuenta de que ésta no es un juego que siempre se gana. Algunos lo descubren muy pronto. Otros, pobres afortunados, tardan años en darse cuenta. En general suele ser un punto de inflexión. Llegado este momento, se cambia de dirección; ya no es posible seguir el mismo camino.

Isabel siempre ha sido una buena chica. Estudiosa, inteligente, amable. Hija (y nieta) única, siempre fue el centro de las atenciones. Aún así, nunca fue mimada. Creían que era sensible, preocupada por los demás. Estudió en uno de los mejores colegios de la ciudad. Se licenció en una de las mejores universidades del Estado. Isabel no tenía contactos. La pelota cayó en el campo contrario. Tiene 28 años, vive con sus padres y trabaja de dependienta en una tienda de moda masiva.

Alberto y Carlos, amigos de toda la vida. Uña y carne, como se dice en alguna parte del mundo. Crecieron juntos. El mismo colegio, el mismo instituto y el mismo grupo de amigos. Los mismo viajes. Las mismas experiencias. Fumaron su primer porro juntos. Se emborracharon por primera vez en la misma fiesta. Incluso perdieron la virginidad el mismo día (era una apuesta). A los 23 Alberto conoció a María. Se enamoraron profundamente. Se casaron y tuvieron un hijo, Carlos. Alberto ahora tiene 37. Se divorció, perdió la casa y la famila. Vive con sus padres. María y su hijo Carlos viven en la que fue su casa. Con ellos vive Carlos, su amigo.

Federico. 13. Ayuda al padre de la iglesia del pueblo en sus labores cotidianas. Le ayuda también a paliar las tensiones derivadas de las represiones del instinto básico humano. Su madre lo sabe, pero es el padre del pueblo, ¿qué se puede hacer?

Juan. 58. Perdió su fortuna en el juego. Tuvo que vender el Porsche, el chalet y el piso. Sus hijos ahora van a un colegio público y ya no van a la academia de inglés ni al gimnasio. Ya no puede viajar. Ya no puede comprarse los mejores trajes ni comer en los mejores restaurantes. En su trabajo le han dado la jubilación anticipada. Ahora pasa las tardes en un mirador, observando los aviones. Nadie identifica un Boing como él.

Ana. 7. Vive en un hogar de acogida después de ver cómo su padre violaba y mataba a su madre y se tiraba por el balcón.

Mónica. 16. A los 13 su madre tuvo un ataque de locura. No sale de casa porque se siente culpable cuando no está con ella.

Diego, 23. Teresa, 15. Josefa, 31. Manoli, 26. José, 21. Bernardo, 19. Belén, 22. Guillermo, 33. Francisco, 11. Pablo, 12. Juan Nadie, x.

Tarde o temprano, la ilusión siempre acaba.

Read Full Post »

Babel

Sou sincera, não sei nada sobre o funcionamento da memória. O que eu sim sei é como ela funciona em mim. Durante muito tempo pensei qua a memória estava associada aos cinco sentidos. Um cheiro que me faz lembrar uma viagem, uma música que me faz lembrar um irmão, uma imagem que me faz lembrar um dia especial. Um tato, uma despedida. Um sabor, uma festa. Todas as minhas lembranças estavam associadas a um sentido (quase sempre a uma imagem e a um som). Faz pouco tempo vivi uma nova experiência. Lembrei de um sentimento. Vi uma imagem que me fez lembrar um sentimento que vivi. O que mais me surpreendeu foi que esse sentimento não estava associado a nenhuma situação concreta, a nenhuma visão. A nenhum som, cheiro, sabor ou tato. Era simplesmente um sentimento familiar. Me sorpreendi, sou sincera.

Read Full Post »

Rá tim bum

Havia passado muito tempo, não sabia dizer quanto. Um dia foi embora, sem olhar para trás. Aquela casa já não era a sua casa. Mas era a sua casa. Tinha passado por muitas outras, mas quando sonhava só existia uma: aquela. Às vezes era irreconhecível, mas sabia que era aquela. As lembranças iam e vinham. Pessoas entravam e saiam.  Era aquela, sempre. Quando se foi não queria aceitar, olhou sem nostalgia. Algumas coisas sempre ficam pelo caminho, pensava. Acreditava que valia mais a pena pensar no que viria, e não no que foi. A estratégia tinha funcionado bem: bom trabalho, prestígio e verão na praia. Quando era jovem pensava no futuro. Isso era suficiente para não se sentir vazio. Ainda tenho tempo, farei muitas coisas. E fez. Fez uma boa fortuna e passou muitos verões na praia. Mas agora já não era jovem, o pensar no que vai ou pode acontecer já não satisfazia, havia passado muito tempo.

Parou um instante. Foi difícil reconhecê-la. Olhou para trás e entrou. Sorpreendeu-se. Lembrava de cada detalhe.

– Aqui nós tínhamos uma prateleira com os livros do meu pai. Aqui ficava a TV, e o sofá aqui. Essa parede antes não existia. Esse era o quarto de brinquedos.

– Você brincava aqui?

– Não lembro. A cozinha era ali. A pia ocupava toooda a parede.

– E por que era tão grande? A sua mãe usava para cozinhar?

– Não sei…

– Deve ser estranho voltar depois de tanto tempo.

– Você acha?

– Acho. Lembrar de como eram as coisas e não ser capaz de dar vida a nada.

Parou. Aquele comentário tinha doído. De verdade. Fez-se o silêncio.

– Rá tim bum.

– Quê?

– Rá tim bum. Aqui era onde a gente colocava a mesa quando tinha festa em casa. O bolo ia no meio e os brigadeiros em volta. Tá vendo esta marca no taco? Quando eu tinha treze anos, o meu avô me deu um canivete e me disse: “tudo o que você marcar com esse canivete será seu para sempre”. De noite, quando todo mundo estava dormindo, fiz essa marca. A minha mãe ficou puta. Não tinha jeito de tirar… Nunca mais me devolveu o canivete. Essa foi a única marca que eu fiz. Rá, tim, bum. Nascer, crescer e morrer. A vida em três sílabas. É hora – e deixou para trás a única marca que teve na vida.

Read Full Post »

%d blogueiros gostam disto: