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Archive for abril \17\UTC 2007

Os dous horizontes

Dous horizonte fecham nossa vida:

Um horizonte, — a saudade
Do que não há de voltar;
Outro horizonte, — a esperança
Dos tempos que hão de chegar;
No presente, — sempre escuro, —
Vive a alma ambiciosa
Na ilusão voluptuosa
Do passado e do futuro.

Os doces brincos da infância
Sob as asas maternais,
O vôo das andorinhas,
A onda viva e os rosais.
O gozo do amor, sonhado
Num olhar profundo e ardente,
Tal é na hora presente
O horizonte do passado.

Ou ambição de grandeza
Que no espírito calou,
Desejo de amor sincero
Que o coração não gozou;
Ou um viver calmo e puro
À alma convalescente,
Tal é na hora presente
O horizonte do futuro.

No breve correr dos dias
Sob o azul do céu, — tais são
Limites no mar da vida:
Saudade ou aspiração;
Ao nosso espírito ardente,
Na avidez do bem sonhado,
Nunca o presente é passado,
Nunca o futuro é presente.

Que cismas, homem? — Perdido
No mar das recordações,
Escuto um eco sentido
Das passadas ilusões.
Que buscas, homem? — Procuro,
Através da imensidade,
Ler a doce realidade
Das ilusões do futuro.

Dous horizontes fecham nossa vida.

(Machado de Assis, Crisálidas – 1864)

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Uma manhã normal

Uma manhã normal de um dia normal. Uma pessoa normal vai a caminho do seu escritório. É um dia normal de trabalho. Tudo ia dentro da normalidade até que, no subterrâneo do metrô, essa pessoal normal, na sua habitual rotina, começou a escutar uma canção. Como podem imaginar, a canção também era normal. Ou melhor, costumava ser normal mas alí, naquele túnel, tinha algo de peculiar. Um refugiado do leste, o que costumamos escutar no trem, entre dindondin e dindondin, cantava Imagine. De repente a normalidade da rotina dessa pessoa comum foi interrumpida. Essa cena tinha algo que pedia que se parasse um momento para pensar. Pensar e rir. Tinha graça: o hino da utopia hippie agora era usado por um cantor medíocre para conseguir umas quantas moedas. As pessoas comuns continuaram o seu caminho, nem ao menos viraram os olhos para ver aquele refugiado; continuaram com as suas medíocres vidas, ignorando a música. Tal como em suas normais vidas.

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Estimada Marta

Molt he estimat i molt estimo encara.
Ho dic content i fins un poc sorprès
de tant d’amor que tot ho clarifica.
Molt he estimat i estimaré molt més
sense cap llei de mirament ni traves
que m’escatimin el fondo plaer
que molta gent dirà incomprensible.
Ho dic content: molt he estimat i molt
he d’estimar. Vull que tothom ho sàpiga.
Des de l’altura clara d’aquest cos
que em fa de tornaveu o de resposta
quan el desig reclama plenituds,
des de la intensitat d’una mirada
o bé des de l’escuma d’un sol bes
proclamo el meu amor: el legitimo
(Miquel Martí i Pol)

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Estos cuatro nombres aquí, en España, no dicen nada. Si los digo de golpe, sin más explicaciones, la gente “se quedará a cuadros”. Muchas veces es lo que más echo en falta. Decir estos cuatro nombres y no necesitar decir nada más. Echo de menos compartir recuerdos. Uno dos tres, Goku, Heidi y Marco no forman parte de mis recuerdos. Didi, Dedé, Mussum y Zacarias sí. Echo de menos los recuerdos. Me da pena porque sé, así como las fórmulas matemáticas, que con el tiempo los olvidaré. Esta noche me desperté y no pude volver a dormir. Pensando me acordé de unas vacaciones de julio (la gente vuelve a quedarse a cuadros, “¿vacaciones de julio”?). Me desperté por la noche sin poder volver a dormir. Me levanté, fui al comedor y encendí la TV. En Globo (más cuadros) vi el final de la película en que se casa Didi. Siempre digo que tengo memoria para los detalles inútiles. Aunque sea verdad que muchas veces preferiría recordar más un viaje que no los antiguos manteles individuales del restaurante del Club Athletico Paulistano, me gusta recordar estos detalles inútiles. Ellos, así como los símbolos, siempre hablan conmigo. Recordar esta noche de insomnio me hace recordar un piso, una época y una persona. Hoy, en mi noche de insomnio, no cambiaría este detalle inútil por nada.

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